CGU recorre à IA para facilitar acesso à plataforma Fala.BR

 A Plataforma Fala.BR, principal canal de ouvidoria do governo federal, terá um novo formato, a partir de segunda-feira (6). Gerenciado pela Controladoria-Geral da União (CGU), o sistema passará a empregar Inteligência Artificial (IA) para facilitar o acesso dos cidadãos, reduzindo dúvidas e tornando o processo mais rápido e acessível.

Segundo a Ouvidoria-Geral da União (OGU), a interface mais simples será especialmente benéfica para aqueles que utilizam a plataforma em telas menores, por meio de dispositivos móveis, e que hoje representam a maioria dos usuários do Fala.BR.

O novo sistema será capaz de identificar automaticamente se a mensagem enviada por qualquer cidadão é um elogio, sugestão, solicitação, reclamação ou denúncia, registrando-a corretamente. Além disso, em breve, a tecnologia também conseguirá sugerir ao cidadão a classificação da demanda por “assunto”, “órgão destinatário” e “serviço público”.

De acordo com a CGU, as mudanças vão reduzir erros no registro, uma vez que, hoje, é o usuário quem precisa identificar a natureza de sua interação, escolhendo as classificações em uma lista com várias opões.

“A aplicação de IA no Fala.BR vai permitir que o acesso às ouvidorias do governo do Brasil seja ainda mais fácil”, afirma o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho.

“Queremos que a população consiga falar com a administração federal de forma simples e ágil, porque as manifestações dos cidadãos são insumos para melhorarmos a infraestrutura e os serviços públicos; nas escolas, hospitais e estradas, por exemplo”, acrescentou o ministro, destacando que a participação social é um “pilar fundamental de um país forte”.

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Em nota, a ouvidora-geral da União, Valdirene Paes de Medeiros, também destacou a expectativa de que as facilidades possibilitem e estimulem a maior participação social.

“O novo formato reduz dúvidas e torna o processo mais rápido e acessível, inclusive para usuários com menor familiaridade digital. Como resultado, há um estímulo à participação social, já que o cidadão encontra menos barreiras para se comunicar com o poder público, além de ter uma experiência mais simples, eficiente e confiável ao utilizar os serviços de ouvidoria”, sustenta Valdirene.

O sistema também passou por melhorias que contemplam a gestão das informações prestadas pelas ouvidorias de órgãos públicos. “Agora é possível que as ouvidorias incluam os seus relatórios de gestão diretamente no Fala.BR, facilitando a divulgação de suas atividades e de seus avanços em um único lugar. Isso otimiza a capacidade das ouvidorias de responder de forma mais assertiva para o cidadão”, afirmou o coordenador de Dados e Sistemas de Ouvidoria da CGU, Fernando Simões Vassoler.

Acesso

O Fala.BR, ou Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação do Poder Executivo Federal, está em operação desde 2019. Por meio do sistema, os cidadãos podem enviar quaisquer tipos de manifestações para o governo federal e para estados e municípios que aderem à ferramenta. Na plataforma, os solicitantes podem acompanhar a tramitação das manifestações, com prazos definidos para o recebimento de respostas dos órgãos responsáveis.

Além de municiar a administração pública com informações sobre as prioridades da população, manifestações feitas pelos cidadãos por meio do Fala.BR também podem contribuir no combate à corrupção. Recentemente, uma operação contra desvios de recursos da educação em um município baiano, realizada pela CGU e pela Polícia Federal (PF), teve origem em uma manifestação feita pela plataforma.

*Com informações da Ascom/CGU

MPF quer acesso a laudos de mortos na Operação Contenção


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O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso aos laudos necroscópicos dos mortos durante a Operação Contenção, deflagrada em outubro do ano passado. 

A operação foi deflagrada pelas polícias civil e militar e terminou com a morte de 118 pessoas que seriam ligadas à organização criminosa Comando Vermelho (CV), além de quatro policiais. 

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O MPF afirmou que solicitou o acesso a informações do caso, mas o órgão não obteve resposta das autoridades estaduais.

Segundo o MPF, há “obstáculos” para acesso aos laudos também pelos familiares, Defensoria Pública, organizações da sociedade civil e das próprias instituições de Justiça. 

“Essa atuação, contrária aos padrões internacionais de proteção às vítimas de violência policial, simboliza revitimização e mais uma violação de direito”, alegou o MPF.

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PF

No mês passado, Moraes determinou que o governo do estado do Rio de Janeiro envie à Polícia Federal (PF) as imagens capturadas durante a operação

A corporação será responsável pela perícia do material.

A decisão do ministro foi tomada no processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635.

Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro. 

Rio de Janeiro e Rondônia não vão reduzir ICMS sobre combustível


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Apenas os estados do Rio de Janeiro e de Rondônia indicaram que não vão aderir à proposta de subsídio ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do diesel importado, apresentada pelo governo federal. A informação é do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, em entrevista a jornalistas, nesta quinta-feira (2).

Segundo ele, 90% dos estados já aderiram à subvenção e dois ou três ainda avaliam a proposta e devem dar a resposta hoje ou amanhã (3). A medida busca conter a alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.

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De caráter temporário e excepcional, a proposta prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel importado por dois meses. Segundo o Ministério da Fazenda, o impacto fiscal total é estimado em R$ 3 bilhões, R$ 1,5 bilhão por mês.

O custo será dividido igualmente entre o governo federal e os estados, com R$ 0,60 arcado pela União e R$ 0,60, pelas unidades da federação. A equipe econômica apresentou a proposta aos estados após resistência dos governadores em zerar o ICMS sobre a importação do combustível.

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A nova ajuda se soma a outras medidas anunciadas pelo governo no último dia 12: o subsídio de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores e o corte no PIS e Confins sobre a importação e comercialização do diesel.

Com o PIS e Cofins zerado para o diesel, o governo espera perder R$ 20 bilhões em arrecadação. Já a subvenção ao diesel deve ter um impacto de R$ 10 bilhões no caixa da União.

Alckmin reuniu a imprensa para apresentar um balanço da sua gestão à frete do MDIC. Ele vai disputar a reeleição para a Vice-Presidência em outubro, na chapa encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para isso, pode seguir na cadeira da Vice-Presidência, mas precisa se desincompatibilizar da função de ministro do Executivo.

Ouça na Radioagência Nacional:

 

Botafogo oficializa contratação do técnico português Franclim Carvalho


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O Botafogo está de técnico novo: o português Franclim Carvalho, de 39 anos, foi anunciado pelo clube nesta quinta-feira (2). Ele substituirá o argentino Martín Alsemi, demitido há 11 dias. Carvalho já é um velho conhecido do clube carioca: ele foi o principal auxiliar técnico do compatriota Arthur Jorge (atualmente no Cruzeiro), que em 2024 conduziu o time à conquista dos títulos do Brasileirão e da Copa Libertadores da América. O contrato de Carvalho vai até o fim de 2027. 

O novo técnico deve chegar ao Rio de Janeiro no fim de semana. Ele comandará o Botafogo em parceria com os auxiliares Luís Felipe e Luís Viegas, o preparador físico Fábio Monteiro e o preparador de goleiros Ricardo Matos.

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Antes da primeira passagem pelo Botafogo como auxiliar técnico, Franclim Carvalho também trabalhou com Arthur Jorge no Braga (Portugal), onde faturaram a taça da Liga de Portugal.

Franclim Carvalho se junta a outros quatro técnicos portugueses que comandam equipes da elite do futebol nacional: Abel Braga (Palmeiras), Arthur Jorge (Cruzeiro), Leo Jardim (Flamengo) e Luís Castro (Grêmio). Os demais treinadores estrangeiros no país são Luis Zubeldía (Fluminense) e Paulo Pezzolano (Internacional), ambos argentinos.

PM aposenta tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio em SP


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O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana e por fraude processual, foi transferido para a reserva da Polícia Militar (PM) de São Paulo. Na estrutura militar, a medida equivale à aposentadoria. Ele está preso preventivamente desde 18 de março.

A portaria de inatividade foi publicada, nesta quinta-feira (2), no Diário Oficial do Estado e já passa a ter efeito. Segundo a publicação, Rosa Neto tem direito a proventos integrais, considerando a proporcionalidade do tempo de serviço. O texto aponta “proporcionalidade de 58/60”, o que equivale à remuneração praticamente integral do tenente-coronel.

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Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento em que o casal morava, na capital paulista. O tenente-coronel, que estava no local, chamou socorro e reportou o caso às autoridades como suicídio. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita.

Laudos do Instituto Médico Legal (IML) confirmaram marcas de agressão incompatíveis com suicídio. A família da vítima contestou a versão de suicídio desde o registro da ocorrência.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), a aposentadoria do tenente-coronel não interrompe o processo administrativo que pode levar à demissão, perda do posto e da patente.

Neutralidade autoritária: Suíça foi destaque no apoio à ditadura


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De camisa polo, sentado em uma varanda, cercado de folhagens tropicais e a três dias do verão carioca de 1970, o empresário suíço Anton Von Salis, então presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira, explicava porque os trabalhadores no Brasil podiam ganhar menos que os da Europa:

“As necessidades são totalmente diferentes. Aqui não faz frio. E eles têm casas. Podem ser casas relativamente simples, mas suficientes para a natureza do país. Mas certamente (…) é um valor bastante baixo”.

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A declaração foi dada à RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça. Para Von Salis o golpe que arrastou o Brasil para 21 anos de ditadura militar garantiu estabilidade, mão de obra barata e caminho aberto para o lucro do capital suíço. 

Um levantamento feito por Gabriella Lima, pesquisadora da Universidade de Lausanne, na Suíça, comparou os salários pagos pelas 14 maiores multinacionais suíças, no ano de 1971, e mostrou como foi lucrativo para as empresas contar com um regime que sufocou sindicatos, impediu greves e silenciou reivindicações trabalhistas. 

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Entre os trabalhadores sem qualificação, o salário pago aqui no Brasil representava um quinto do que era pago a um operário suíço na mesma função. Incluindo a mão de obra profissionalizada a diferença diminui, mas em patamares bem vantajosos para o empregador: pouco mais da metade (57%) do salário suíço. 

A análise de Gabriella resultou no livro Don’t Miss The Bus (Não Perca o Bonde, em tradução livre), que ainda não foi traduzido para o português. Segundo a Gabriella, o capital suíço, de fato, não perdeu o bonde: 

“As empresas suíças aproveitaram tudo que a ditadura tinha a oferecer. Não pagavam impostos nos dez primeiros anos [depois de instaladas no Brasil], não pagavam impostos sobre a remessa de lucros e tem a questão da mão de obra, o clima de ‘paz social’, o ‘gelo’ de salário, movimento operário fraco, criminalização do movimento social, da oposição, da esquerda, dos sindicatos, do movimento estudantil. Tudo isso, dava confiança no parceiro brasileiro”. 

Para Marco Antônio Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp, a política de valorização do salário mínimo foi um dos estopins do golpe de 64 e que uma das primeiras medidas adotadas pelos militares foi alterar a política de reajuste da remuneração:

“O que o governo fez foi modificar a política de indexação do salário mínimo frente à inflação. Com uma inflação já bem elevada, isso significou que o salário mínimo ficou muito defasado de forma muito rápida. Em um a dois anos, ele perdeu cerca de 50% do poder de compra.”

Gabriella calculou quanto o achatamento dos salários aqui no Brasil ajudaram a encher os bolsos dos empresários suíços. 

“Eu tentei fazer uma estimativa de quanto as 14 maiores multinacionais suíças no Brasil, em 1971, conseguiram faturar com a mão de obra da classe operária brasileira. E cheguei a 80 milhões de francos só em 1971, para 14 empresas”. 


Brasília (DF),  02/04/2026 - Neutralidade autoritária: suíça foi destaque no apoio a ditadura.
Frame RTS

Anton Von Salis, presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira em entrevista para RTS, em 18 de dezembro de 1970 – Frame RTS

Investindo na opressão

A política de achatamento de salários e a estabilidade gerada pela opressão animou o capital suíço. Entre 1964 e até o final da década de 1970, a Suíça esteve entre os quatro países que mais investiram no Brasil. Ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Alemanha e revezando o terceiro lugar com o Japão. 

Mas proporcionalmente, o país foi o maior investidor em todo o período: uma média de $ 187,8 per capita. Um montante oito vezes maior que o investimento per capita da Alemanha, o segundo maior parceiro comercial do Brasil no período.  Nos anos de 1970, a Suíça tinha cerca de 7 milhões de habitantes.

“Se a gente dividir pelo número da população, o investimento suíço não é só o primeiro, mas o maior do que os nove outros maiores investidores”.

Em 1973, o investimento suíço no Brasil, o chamado IED (Investimento Estrangeiro Direto), foi de 1,1 bilhão de francos suíços, a moeda local vigente na época. Quase três vezes o PIB brasileiro no período. Em 1977, quatro anos depois, já era mais do que o dobro disso: 2,3 bilhões de francos suíços.  As empresas suíças estavam em vários setores: alimentação, metalurgia, petroquímica, laboratórios farmacêuticos e o sistema financeiro, os famosos bancos suíços.

Questionado sobre as denúncias de prisões arbitrárias e torturas que garantiam a estabilidade celebrada pelas multinacionais suíças, Von Salis minimizou

“Parece que sim [que existem violações]. Mas isso você tem em todos os países. Nesses casos.”

Sequestro


Brasília (DF),  02/04/2026 - Local do sequestro do embaixador Suíço, em dezembro de 1970.
Foto: Podcast Perdas e Danos.

Local do sequestro do embaixador Suíço, em dezembro de 1970 – Foto: Podcast Perdas e Danos

No momento em que o presidente da Swisscam deu a entrevista para a RTS, a opinião pública suíça tinha motivos para estar de olho no que acontecia no Brasil: é que estava em curso o mais longo sequestro de um diplomata no país. 

O embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, tinha sido sequestrado no dia 7 de dezembro de 1970, numa ação comandada pelo ex-capitão do exército Carlos Lamarca, líder da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), movimento de guerrilha urbana de oposição ao regime militar. Bucher só foi libertado 40 dias depois, em troca da liberdade de 70 presos políticos que seguiram em exílio para o Chile. 

A captura de diplomatas foi estratégia dos movimentos de esquerda no Brasil e na América Latina. A região enfrentava uma sucessão de golpes militares e governos entregues a ditadores alinhados, durante a Guerra Fria, aos EUA.  

No Brasil, além e Giovanni Bucher, outros três diplomatas também foram sequestrados: o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick, entre 4 e 7 de setembro de 1969, o embaixador da Alemanha, Ehrenfried von Holleben, entre 11 e 16 de junho de 1970, e por último, o cônsul do Japão em São Paulo, Nobuo Okuchi, entre os dias 11 e 13 de março de 1971. Os quatro diplomatas representavam justamente os maiores parceiros comerciais do Brasil.

Outro lado

Nós entramos em contato com o governo Suíço por meio da embaixada no Brasil para entender como o país vê, hoje, o que aconteceu no passado. Por escrito, a Suíça respondeu que “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”. Mas disse que “saúda” a realização de estudos independentes e que esse tipo de trabalho contribui para compreender o passado e promover o debate. 

Também procuramos a Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira. Inicialmente, foi dada pra gente a oportunidade de consultar os arquivos da organização e foi prometida uma resposta. Mas, após detalharmos as dúvidas por e-mail, foi respondido por telefone que o presidente da Câmara de Comércio não tinha sido localizado e, por isso, não autorizariam o acesso aos arquivos, nem responderiam às perguntas. 

Essa reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos,  o podcast que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada. Você encontra mais detalhes sobre a intrincada rede das relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio 1 da 2ª temporada: Relógio Suíço.

 

Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura


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“Fui torturado por quatro dias. Quase sem parar. Não saí da câmara de tortura”.

Era assim que o jovem estudante brasileiro, exilado na Suíça, Jean Marc Von der Weid, começava a descrever as sessões de tortura a que foi submetido enquanto esteve preso no Brasil, entre agosto de 1969 e janeiro de 1971. Ele falou sobre o assunto em uma entrevista para a RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça.

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Jean Marc foi um dos 70 presos políticos libertados em troca do embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, no mais longo sequestro de um diplomata registrado no Brasil. O jovem que também tinha nacionalidade suíça aproveitou o exílio para denunciar as violações no Brasil e dava detalhes sobre as técnicas de tortura adotada nos porões da ditadura:

“Pau de arara. Você é pendurado pelos pés, pelas mãos e de cabeça para baixo. Nessa posição, me aplicavam choques pelo, golpes com cassetetes e o ‘telefone’, golpes simultâneos com as mãos nas orelhas. Também sofri a tortura hidráulica. Por um tempo, eles forçaram água no meu nariz. Além das queimaduras. Eles queimam as pessoas com cigarros”.

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Essa não foi a única entrevista dada por Jean Marc. Na verdade, depois de chegar na Europa, ele começou uma maratona de participações em eventos, palestras, debates e muitas entrevistas com o objetivo de mostrar à opinião pública na Europa o que acontecia no Brasil do milagre econômico. A movimentação incomodou o governo suíço que mantinha fortes ligações econômicas com o regime militar no Brasil. 

Gaelle Shclier estudou a atuação de ativistas brasileiros e as movimentações do governo e da diplomacia suíça para uma pesquisa na Universidade de Lausanne:

“Esses eventos eram monitorados pela polícia”.  Ela teve acesso a relatórios que comprovam a vigilância e compartilhou um desses documentos com a nossa reportagem. 

Um documento de 9 de março de 1971 é um relatório de 36 páginas em francês que tem como destinatário o chefe da polícia de Lausanne e traz a transcrição das palestras feitas por ativistas durante a conferência Brasil, a democratização da tortura. O discurso de Jean Marc é o primeiro transcrito pela polícia suíça no relatório:

“Não há limitação, no Brasil, quanto às pessoas torturadas. Você pode ter crianças que são torturadas. Havia um menino que foi levado na mesma época que eu. Ele tinha 14 anos, e tinha paralisia infantil. Ele foi torturado para fazer sua mãe falar.”

O documento também traz detalhes sobre quem organizou o encontro, os dizeres dos cartazes presos nas paredes, como  “12.000 presos políticos”, “A tortura é indispensável ao poder militar”, “Apoio à luta do povo brasileiro” e nomes de empresas suíças que lucravam com a política de proximidade entre o governo suíço e o regime autoritário no Brasil.

Gaelle lembra que atuações como a de Jean Marc ia na contramão de outros eventos organizados por empresas e pelo próprio governo suíço:

“A comunidade empresarial tinha interesses no Brasil. Aqui na Suíça, eles organizavam jornadas culturais, jornadas econômicas, políticas, para divulgar uma imagem positiva do Brasil e ganhar opinião pública sobre a ditadura. Roberto Campos [ex-ministro do Planejamento no governo de Castello Branco] veio várias vezes aqui para dar palestras”.

Gabriella Lima, que também é pesquisadora na Universidade de Lausanne, concorda que a  presença de ativistas brasileiros incomodava:

“Esses movimentos de solidariedade colocavam em perigo os interesses deles no Brasil, porque eles [a opinião pública Suíça] podiam pedir, a qualquer momento, um boicote, como fizeram na África do Sul”, explica.  

Suíça sabia

Para Gaelle, o relatório policial confirma que o governo suíço não só monitorava ativistas brasileiros, mas também sabia das violações que aconteciam no Brasil.

“A gente vê em relatórios e em cartas que eles sabem que a polícia [brasileira] em geral é muito violenta. Eles tinham conhecimento do que estava acontecendo.”

Correspondências diplomáticas confirmam a cumplicidade Suíça. Uma delas é um documento, também em francês, com o título Tortura no Brasil de outubro de 1973. Nele, o cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, confirma ao Departamento de Política do Ministério das Relações Exteriores de seu país, que o Estado brasileiro cometia crimes:

“À semelhança do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), conhecido há muito tempo por sua brutalidade, certas unidades do exército, agora encarregadas de conduzir os processos relativos a atividades subversivas, começam a recorrer a diversos métodos de tortura: maus-tratos físicos, queimaduras, choques elétricos, câmara fria, etc”.

O documento faz um outro alerta às autoridades suíças: a de que a violência contra os opositores do regime era conhecida nas altas esferas do governo brasileiro: 

“Dada a disciplina militar que reina nas fileiras, parece-me improvável que esses fatos sejam ignorados nas altas esferas”.

Apesar dos relatórios polícias e diplomáticos, a Suíça não mediu esforços para manter boas relações com o governo ditatorial e passou a perseguir ativistas brasileiros. 

A dupla nacionalidade poupou Jean de uma expulsão. Mas outros exilados políticos não tiveram a mesma sorte. Foi o caso de Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor. Os dois ex-presos políticos, que também tinham sido torturados no Brasil, foram expulsos da Suíça e tiveram os vistos cassados. O Estado suíço alegou quebra da neutralidade.  Apolônio de Carvalho tinha lutado na Guerra Civil Espanhola e era herói de guerra na França por atuar na resistência contra o nazismo de Hitler na Segunda Guerra Mundial. 

Em um informe, de novembro de 1970, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para a Presidência da República comemorou a expulsão dos ativistas e atribuiu o sucesso às relações econômicas entre os dois países:

“Informação do MRE para o Senhor Presidente da República FORMAÇÃO DO MRE PARA O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NOVEMBRO DE 1970.

(…) A rapidez com que as autoridades federais suíças decidiram expulsar do país os terroristas em questão parece-me dever-se (…) à firmeza com que reclamamos do comportamento do governo suíço no caso e indicamos os danos que causaria às nossas relações políticas e econômicas.

Nunca houve uma ruptura política ou econômica da Suíça com a ditadura brasileira. Nós questionamos a embaixada da Suíça no Brasil em relação a essa postura. Em nota eles responderam que: “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”. A nota também “saúda” a realização de estudos independentes que permitam compreender o passado e promover o debate.

A reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos, o podcast que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada. Você encontra mais detalhes sobre a intrincada rede das relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio 1 da 2ª temporada: Relógio Suíço.

 

Casos de influenza A continuam a crescer no Brasil, diz Fiocruz


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O número de casos de influenza A permanece em crescimento no Brasil. De acordo com a nova edição do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a maior parte dos estados das regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste está em alerta por causa da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que representa risco ou alto risco com sinal de crescimento.

O Boletim alerta que a influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus são as causas na maioria dessas ocorrências de SRAG e podem resultar em morte nos casos mais graves.

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Conforme os registros do InfoGripe, divulgados nesta quarta-feira (1º), nas quatro últimas semanas epidemiológicas, 27,4% foram casos positivos de influenza A; 1,5% de influenza B; 17,7% de vírus sincicial respiratório; 45,3% de rinovírus; e 7,3% de Sars-CoV-2 (covid-19).

Nas anotações de óbitos em igual período, entre os registros positivos houve a presença destes mesmos vírus com 36,9% de influenza A, de 2,5% influenza B, 5,9% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 25,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). “O estudo é referente à Semana Epidemiológica 12, período de 22 a 28 de março”, acrescentou a Fiocruz no texto de divulgação do Boletim.

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Vacinação

Para os pesquisadores, diante desse quadro, a imunização contra a influenza se torna ainda mais necessária, o que pode ser facilitado pela Campanha Nacional de Vacinação que teve início no sábado passado (28), nessas regiões onde vem sendo registrado o avanço dos casos.

A ação, que é realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, continua até 30 de maio e a população pode procurar a imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

“É fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza”, afirmou a pesquisadora da Fiocruz Tatiana Portella.

Ela chama atenção ainda para a importância das gestantes a partir da 28ª semana se vacinarem contra o VSR, para garantir proteção aos bebês desde o nascimento.

A pesquisadora recomendou também que as pessoas dos estados onde ocorrem evolução de SRAG usem máscaras em locais fechados e com maior aglomeração, principalmente, as que integram os grupos de risco. Tatiana Portella ressaltou, ainda, a importância de manter a higiene, como lavar sempre as mãos.

“Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é manter o isolamento. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando uma máscara de boa qualidade, como PFF2 ou N95”, sugeriu.

Agências bancárias estarão fechadas nesta Sexta-Feira Santa


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As agências bancárias de todo o país estarão fechadas para atendimento presencial nesta sexta-feira (3), feriado nacional de celebração da Paixão de Cristo. As compensações bancárias, incluindo as TEDs, não serão efetivadas na data, mas o Pix, que funciona 24 horas todos os dias, poderá ser feito normalmente.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os boletos de cobrança e contas como água, energia e telefone com vencimento no feriado podem ser pagos, sem acréscimo, no próximo dia útil.

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Já o pagamento de tributos e impostos que vencem nesta sexta deve ser antecipado, para evitar a cobrança de juros e multas. Nesta quinta-feira (2), os bancos têm expediente normal.

Sites e aplicativos de bancos e caixas eletrônicos também podem ser usados para pagamento de contas e transferências, entre outros serviços. Banco por telefone e correspondente também estão entre as alternativas de atendimento.

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A Febraban já lembra que o próximo dia 21 de abril, uma terça-feira, também é feriado, de Tiradentes. Da mesma forma, as agências estarão fechada para atendimento ao público neste dia.

Na segunda-feira, dia 20, o expediente bancário segue normalmente nas localidades onde não há feriado estadual ou municipal ou ponto facultativo.

Governo federal vai chamar mais 7 mil servidores em 2026, diz ministra


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A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou nesta quinta-feira (2), que o governo federal deve chamar mais 7 mil aprovados em concursos públicos a ocuparem vagas no Executivo Federal. Desse total, estão os mais de 3,6 mil candidatos da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU).

Também poderão ser chamados, durante todo este ano, os candidatos excedentes que aguardam em cadastro reserva de outros concursos novas oportunidades de serem convocados a ocuparem vagas no serviço público federal, afirma a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.

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“Todos os concursos homologados antes do defeso, os aprovados podem ser chamados durante o período eleitoral. O que você não pode é aprovar um concurso novo durante o período eleitoral”, explica.

Entre as prioridades estão a carreira da Polícia Federal e outras carreiras oferecidas na primeira edição do CPNU, além dos 1.860 convocados no mês de março a ocuparem tanto as vagas originalmente previstas em edital quanto aquelas autorizadas posteriormente.

“A nossa expectativa é que este ano tenha uma entrada gigantesca de pessoas aprovadas em concursos já autorizados”, reforça Dweck.

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De acordo com a ministra, para os candidatos que forem convocados a ocuparem cargos sem lotação definida, haverá uma etapa anterior à nomeação com a publicação de editais de lotação e um prazo até a posse.

“A gente está combinando com os órgãos que quando for publicar o edital de lotação vai ter um tempo antes do processo de nomeação, para as pessoas poderem ter um tempo de se organizarem familiarmente e poderem se deslocar para o local que vão trabalhar, esclareceu. 

Novos concursos

Segundo Esther Dweck, novos concursos deverão ser homologados até o mês de junho, mas serão poucos. “Semana que vem a gente vai fazer um balanço. Vou levar à Casa Civil e à Presidência [da República] para a gente bater o martelo e anunciar as novas autorizações”, diz a ministra, sem detalhar quais órgãos serão contemplados.